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08/01/2010

Westvleteren

Finalmente pudemos provar as míticas cervejas trapistas de Westvleteren. Estas são possivelmente as trapistas mais cultuadas e a com certeza as mais difíceis de encontrar, já que a venda é feita somente na fábrica e em quantidades limitadas. Poucas chegam as bares especializados pelo mundo, com preços sempre muito altos.

Ao lado da cervejaria está o belíssimo Vrede, bar onde se pode degustar as 3 cervejas produzidas (e mesmo aqui não foi possível comprar algumas garrafas para "rechear" nossa adega):
Blond - uma cerveja com amargor pronunciado e final seco, muito equilibrada.
Bruin 8 - uma dubbel muito boa, encorpada, com notas de caramelo, chocolate, passas, frutada e com amargor final muito delicado.
Bruin 12 - potente, com 10,2% alcool, escura, encorpada, complexa. Ainda estava muito jovem, com certeza ainda melhora muito com alguns anos de repouso em adega.


Interessante notar que, exceto por alguns poucos "turistas cervejeiros", o salão estava completamente tomado por uma turma de belgas, onde o ponto comum eram os cabelos brancos...
Já havíamos notado que na Bélgica os jovens demostram pouco interesse pela riqueza histórica e gastronomica das cervejas locais. Vale lembrar que mesmo na Bélgica as lagers industriais dominam mais de 70% do mercado!

07/10/2009

ROCHEFORT

A Abbaye Notre Dame de St. Rémy é a casa da Brasserie de Rochefort, talvez a mais tradicional e "reservada" das cervejarias trapistas.
Aqui são produzidas as Rochefort 6, 8 e 10, reconhecidas pelas tampinhas vermelha, verde e azul, respectivamente, já que os rótulos são presença relativamente recente.



Pudemos visitar os jardins que cercam a abadia, muito bem cuidados e bonitos, com certeza um local muito procurado pelos monges para suas reflexões (talvez até uma cervejinha.... será?).
A cervejaria não pode ser visitada e não existe bar oficial.

Santé

CHIMAY

Outro templo da cerveja na Bélgica, é na abadia de Notre-Dame de Scourmont que são produzidas as lendárias Chimay Rouge, Triple e Bleue.
É difícil imaginar que num lugar tão calmo e bonito, que parece parado no tempo, existe uma cervejaria de porte considerável produzindo cervejas que viajam o mundo todo.
A Brasserie não é aberta para visitações, mas o pátio interno, bem como a capela, são muito bonitos e podem ser visitados.

Mas é a algumas centenas de metros, na estrada que passa em frente a abadia, que se percebe a magnitude da paixão despertada por essas cervejas.
O Auberge de Poteaupré é o bar oficial da Chimay, com um lindo salão onde turistas do mundo inteiro param para degustar as cervejas.

O atendimento é muito bom e existe uma enorme lista de sugestões de harmonização com as cervejas.
Optamos pela mais completa, que inclui todas as cervejas e os queijos, excelentes, também produzidos na abadia.


A Chimay White (tripel) e Red (dubbel) são boas e merecem a fama, apesar de não serem, na minha opinião, os ícones em seus estilos.
A Chimay Blue é muito encorpada e saborosa, mas precisa de um tempo na garrafa para ganhar complexidade. Não se destacou na nossa degustação, mas terá a chance de se redimir. Trouxemos para casa uma garrafa da Grand Reserve Vintage 2008 que passará alguns anos na nossa adega para então nos surpreender!

O grande destaque da degustação foi a Chimay Speciale Poteaupré, uma cerveja especial produzida pela Chimay e encontrada somente aqui no bar oficial.
A Poteaupré tem 4,5% de álcool, coloração amarelo palha e alta carbonatação, com um sabor de trigo destacado e notas fenólicas e condimentadas muito agradáveis. Muito boa, refrescante e com bom drinkability.
Repetimos a dose e valeu a visita!

ORVAL


Aqui na Abadia de Notre Dame d`Orval é produzido um dos maiores ícones cervejeiros do mundo, a cerveja Orval.
Somente a visita à abadia já vale a viagem (já que a cervejaria não está aberta para visitações). Minhas palavras não farão jus a beleza desse lugar, portanto vejam vcs mesmos!






Próximo ao portão de entrada da abadia está o bar Ange Gardien, ponto de parada obrigatório de quem visita Orval em um tour cervejeiro. Somente aqui é possível provar a Petit Orval, cerveja produzida para o consumo interno na abadia.


Mas antes a atração principal, a Orval:
- as cervejas servidas no bar foram guardadas em adegas por pelo menos 6 meses antes de serem servidas, permitindo que todo o carater da cerveja se desenvolva.
- altíssima carbonatação, espuma muito densa com ótima formação e duração, corpo agradável e um final bem seco, resultado do alto grau de atenuação conferido pelo Bretttanomyces, microorganismo que muitos acreditam ser o responsável pelo sabor único e característico dessa cerveja. Essa cerveja também passa pelo processo de dry hopping.
- é uma cerveja boa, um ícone, mas eu esperava mais, não me impressionou tanto.

O Tim Webb, autor do Good Beer Guide Belgium, um dos guias que usei na viagem, diz que a Orval não é mais o que costumava ser e suspeita que estão sendo usados "atalhos" de processo para suprir a crescente demanda pela cerveja, que é exportada para boa parte do mundo.
Talvez as expectativas muito altas tenham me prejudicado, mas o fato é que realmente não foi uma cerveja marcante.

A Petit Orval, com 3,5% Alc, produzida pela diluição da Orval original de 6,2%, é exatamente isso, uma Orval diluída ....

Santé

16/09/2009

Westmalle - que aroma!


A primeira cervejaria trapista que visitamos nessa viagem foi a Westmalle, famosa por suas Dubbel e Trippel, que são a referência absoluta nesses estilos de cerveja.
Visitamos não é a palavra correta, uma vez que a cervejaria não está aberta a visitações e só pudemos olhar de fora dos muros.
Mas o aroma de mosto (com certeza era a Dubbel) no ar ao redor da cervejaria em funcionamento foi indescritível! Só aumentou nossa vontade de finalmente provar essas preciosidades.
Então fomos para o Trappisten, tap oficial da cervejaria a poucos metros da abadia.
Provamos a Dubbel on tap, uma cerveja com otima formação e duração de espuma, limpa e com uma cor rubi escuro, com sabor adocicado de malte e um tanto complexo, seguido de um amargor fino e persistente. A Tripel, vendida somente em garrafa, ficou pra depois.
O dia estava só começando e ainda tinha muitos quilometros de estrada pela frente. Nem tantos, tá bom, já que a Bélgica é bem pequenininha...